Notícia

20 de Dezembro, 2013

A igreja doméstica

Preparando o Natal em Família

Em vista do Santo Natal do Senhor, as igrejas cristãs orientam os fiéis para estreitar os vínculos de amor recíproco, vivido na família – a igreja doméstica. Para tal intento estão disponibilizados milhares de exemplares da Novena de Natal, motivando os membros da família à oração e reflexão à luz da Palavra de Deus. A temática natalina enfatiza os relacionamentos familiares, com enfoque especial na juventude. O verdadeiro sentido da vida reside no sentimento de pertença efetiva na família. A vida adquire sentido quando se busca a comunhão e a participação entre as pessoas que se querem bem, não obstante erros e fraquezas de cada um. A mensagem do Natal visa integrar os filhos e as filhas de Deus, ainda que estejam dispersos ou afastados. Nada supre o convívio de amor no seio familiar!

Por mais que as propagandas comerciais fascinem-nos ou tentem aliciar nosso apetite de consumo, ninguém substitui o calor humano, vivido no encontro entre os membros de uma família. Ainda que cercados de benesses materiais, nós chegamos a nos afastar dos parentes, acabando por nos dispersar. Nem as comunicações virtuais suprem o sentimento de afeto e de segurança, construído no dia-a-dia do convívio familiar. Pouco vale a correria às compras de fim de ano, na tentativa de compensar o afeto e bem-estar que somente se encontra no aconchego de um abraço sincero. A verdadeira felicidade não se alicerça no excesso de exterioridades que, cedo ou tarde, deixam o espírito vazio, frustrado.

Não raro sentimos decepção pela falta de motivação para que a família reúna-se. Um bom almoço pode ajudar, mas não podemos trocar as pessoas pelas coisas. Não se vai à casa de alguém por causa de comida e sim pelas pessoas a quem se quer bem. Essa é a lógica espiritual que nos aproxima da ceia do Senhor, a mesa da comunhão eucarística, sinal de unidade, vínculo de amor. Receber a comunhão não é prêmio, mas é força, é vigor, é remédio, é conforto para quem precisa se encontrar na vida, encontrar-se com os outros e se integrar numa comunidade, numa família.

Provocações, intrigas, divisões entre as pessoas, entre comunidades e povos resulta da ausência do cultivo da espiritualidade do amor partilhado. O medo da verdade condena-nos à escravidão do egoísmo. O medo de se libertar das mentiras da existência é o medo de amar de verdade! Somente o amor efetivo, encarnado, cultivado em momentos especiais, pode reverter o comportamento adverso, agressivo, suspeito, negativo. Foi exatamente isso que o Cristo veio trazer à humanidade! Ele se encarnou por nós e por nossa salvação da mentira, do ódio, das divisões.

Enquanto Cristo veio como luz dos povos, há gente por aí que insiste em apagar o brilho dos outros para que brilhe somente sua estrela. A mania de tirar vantagem sobre os outros, a excessiva preocupação com a imagem e sucesso pessoal, o despreparo para conviver em sociedade, o egoísmo, a inveja, os ciúmes, enfim, as misérias de nossas vaidades, não deixam espaço para o amor e a verdade de Deus. Enfrentemos as contradições da sociedade de consumo que prescinde dos valores espirituais sem agredir ou se julgar melhor que alguém. Aprendamos em tudo a amar e a servir pela palavra e pelo exemplo.

Por Dom Aldo Pagotto - Arcebispo da Paraíba (PB)

Fonte : Notícias Católicas