Notícia

13 de Janeiro, 2014

Bonfim é agora Patrimônio Imaterial

A tradicional Festa do Nosso Senhor do Bonfim, uma das celebrações mais simbólicas da Bahia, vai receber o título de Patrimônio Imaterial Nacional na próxima quarta-feira (15), em cerimônia que será realizada após a Missa de Ação de Graças, às 9h, no templo da Colina Sagrada. A ministra da cultura, Marta Suplicy, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, farão a entrega.

O título será entregue ao governador Jaques Wagner, ao prefeito ACM Neto, ao Arcebispo Dom Murilo Krieger, ao superintendente do Iphan-Ba, Carlos Amorim, e ao juiz secular Irmandade do Nosso Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia, Arthur Napoleão. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou, em 5 de junho do ano passado, o registro da Festa de Nosso Senhor do Bonfim como Patrimônio Cultural Brasileiro.

O Reitor da Basílica, Padre Edson Menezes, que também receberá o título, informou é um sinal de reconhecimento. “A festa faz parte da vida da cidade. O título se trata de reconhecimento de um bem que é espiritual, cultural e religioso. É reconhecer a importância da festa”, disse.

Tradição

Para o devoto Antônio Carlos, 60, pelo tempo que a celebração de fé é realizada, a festa já deveria ter sido homenageada. “Há muitos anos venho à festa do Bonfim, e essa tradição já é antiga. Já deveria ter recebido o título de Patrimônio Imaterial há muito tempo”, desabafou.

A tradicional festa é realizada sem interrupção desde o ano de 1745. Mais que uma grande manifestação religiosa, a celebração é uma referência cultural importante na afirmação da cultura baiana. Tendo como um dos pontos altos da festa, a Lavagem do Bonfim, a celebração é marcada pelo sincretismo, quando há a fusão de duas matrizes religiosas distintas – a católica e a afro-brasileira.

Apesar de acontecer consecutivamente há 269 anos, os elementos básicos e estruturantes da Festa do Bonfim permaneceram os mesmos: a Novena, o Cortejo, a Lavagem, os Ternos de Reis e a Missa Solene. Integrando o calendário litúrgico e o ciclo de Festas de Largo da capital baiana, a celebração acontece durante onze dias de todo mês de janeiro, iniciando-se um dia após o Dia dos Santos Reis, e encerrando-se no segundo domingo depois da Epifania, no Dia do Senhor do Bonfim.

Preparativos para a lavagem das escadarias

A Lavagem do Bonfim, uma das mais importantes e tradicionais festas populares de Salvador, vai contar com um esquema especial montado pela Prefeitura do Salvador, sob coordenação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Turismo e Cultura (Sedes), para dar apoio e conforto aos fiéis que participarão do evento na próxima quinta-feira (16), a partir das 8h, do Comércio à Colina Sagrada. Serão disponibilizados serviços como limpeza, ordenamento do trânsito e transporte, saúde e fiscalização de publicidade irregular, dentre outros.

Como medida preventiva, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) realizou, em conjunto com demais órgãos, vistoria ao longo do trajeto do cortejo para identificar possíveis situações que pudessem colocar em risco a segurança da população. A Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop) realizou Operação Tapa-Buracos nas vias, além da limpeza de caixas de sarjeta, substituição de grelhas e tampões e recuperação de passeios em todo o percurso do cortejo. Também foi feita a retirada de tocos de árvores na Avenida Dendezeiros com utilização de destocador e retroescavadeira.

A Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal) está com equipes trabalhando no largo e imediações da Igreja do Bonfim. Os serviços realizados são recuperação do calçamento de pedras portuguesas, pintura da balaustrada na Colina Sagrada e troca de meio-fio.

Na semana passada, a Sucom iniciou as ações de combate à poluição sonora na festa, com orientação aos proprietários de barracas ao longo do cortejo para o limite de 85 decibéis de emissão de som. Já os proprietários de veículos particulares não devem superar a emissão em 70 decibéis.

Quem for flagrado no dia da festa descumprindo a norma poderá ter o equipamento apreendido, além de receber multa. O órgão também fará a fiscalização de material publicitário (blimps, cartazes, faixas e afins), que está proibido durante a festa. As medidas seguem a determinação do Estatuto das Festas Populares (Decreto nº 20.505/2009). As entidades e grupos interessados em participar da Lavagem do Bonfim foram cadastrados pela Empresa Salvador Turismo (Saltur) até a última sexta-feira (10).

Mudança no trânsito e  transporte

A Lavagem do Bonfim também provocará mudanças no trânsito da Cidade Baixa no dia 16, a partir de 1h. Estarão proibidas a circulação e/ou estacionamento de veículos em ruas como a Avenida Lafayette Coutinho (Contorno), Conceição da Praia, Via Expressa (acesso à Cidade Baixa) e Avenida Fernandes da Cunha, além do Largo do Bonfim. 

As mudanças terão impacto no itinerário dos ônibus, que terão como acessos principais o Caminho de Areia, Largo do Tanque, Avenida San Martin e Vale de Nazaré. Já os táxis atenderão aos passageiros em pontos provisórios na Rua Guilherme Marback (trecho compreendido entre a Rua Otávio Barreto e a Rua Henrique Dias) e Rua Henrique Dias (nas proximidades do Hospital Agenor Paiva). A Operação Carga e Descarga acontecerá no dia 16, até às 6h, e nos dias 17 a 19, das 8 às 14h.

A Secretaria Municipal da Saúde instalou um posto médico na Colina Sagrada para prestar assistência aos fiéis no dia da festa. Ao todo são 10 leitos e 16 profissionais envolvidos na assistência, a partir das 8h até o término da lavagem. Além disso, duas ambulâncias avançadas com médico, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores socorristas estarão de prontidão, uma ao lado do posto médico e outra nas imediações da Igreja da Conceição da Praia, no Comércio. O festejo contará ainda com o apoio de duas motolâncias, para otimizar o atendimento às ocorrência nas ruas interditadas e tomadas pelos fiéis e comerciantes.

Ambulantes, limpeza e iluminação

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) promove o cadastramento de ambulantes que atuarão na festa até  esta terça-feira (14), na Coordenadoria de Licenciamento e Fiscalização, na Baixa dos Sapateiros, com atendimento por ordem de chegada. No dia anterior ao festejo, será iniciado o trabalho de fiscalização com 100 agentes para coibir tanto a atuação de ambulantes irregulares, quanto de produtos que não estejam de acordo com o Estatuto de Festas Populares.  De acordo com a Semop, já foram emitidas 582 autorizações para vendedores que vão atuar na festa – dentre elas 84 barracas e o restante para vendedores ambulantes. A área de iluminação também recebe reforço através da Semop, com a manutenção de toda a iluminação pública na área da festa. Na Colina Sagrada, são instalados 1 mil metros de gambiarras e 20 projetores de 1000 watts de potência.

A Limpurb montou um esquema especial de limpeza, que terá início às 4h da quinta-feira (16) e englobará as principais vias do Bonfim e adjacências, a exemplo da Rua da Imperatriz, Avenida Luiz Tarquínio e Largo da Boa Viagem. A operação conta com 485 agentes de varrição, 48 de coleta e 18 agentes de limpeza. Serão utilizados 16 caminhões compactadores, 22 caminhões com carroceria e onze veículos “pipa”, com capacidade total de 55 mil litros de água.

Além disso, serão disponibilizados 332 sanitários químicos, sendo 110 masculinos, 218 femininos e quatro especiais, e mais 24 convencionais distribuídos em pontos estratégicos do trajeto do cortejo. A Guarda Municipal estará presente para dar apoio nas ações de proteção ao patrimônio público e no ordenamento da festa.     

Origem da festa

A realização da Lavagem do Bonfim é uma tradição que remonta à inauguração da Basílica no século XVIII, na Cidade Baixa, e atrai todos os anos milhares de pessoas, entre devotos, moradores e turistas. A festa foi iniciada pelos romeiros e escravos que, a mando dos senhores e integrantes da Irmandade do Senhor do Bonfim, limpavam e enfeitavam a igreja para a festa dedicada ao santo, no segundo domingo depois da Epifania (Dia de Reis).

Os rituais católicos duram dez dias e começam com o novenário. No encerramento, acontecem as missas solene e campal. Já a lavagem sincretiza catolicismo e candomblé. Na religião africana, o santo representa Oxalá, o pai de todos os orixás.

 

Fonte : Tribuna da Bahia