Artigo

14 de Julho, 2014

Homilia – 15º Domingo do Tempo Comum (Is 55,10-11; Rm 8,18-23; Mt 13,1-23)

Deus permite o nosso encontro, nesta manhã, aqui, na Basílica do Senhor Bom Jesus do Bonfim para juntos celebrarmos a sagrada eucaristia e, graças a radio Excelsior da Bahia e à internet, podemos estar em sintonia com milhares de pessoas que rezam conosco, formando uma grande comunhão eclesial, uma imensa assembleia de ouvintes, uma vasta comunidade virtual. 

Certamente, muitos nos acompanham em seus lares, em um leito de um hospital, dirigindo um veículo, trabalhando, estudando, fazendo alguma atividade física, em uma penitenciária, viajando em alto mar, contemplando a natureza na sua casa de praia ou no seu sítio, em diversos outros lugares e outras situações. Onde quer que você esteja a nossa saudação de paz, a nossa gratidão pela comunhão, pela companhia, pela oportunidade de rezarmos juntos. Acolho com alegria todos os devotos e fiéis que estão distante e aqui, nesta basílica, formando uma assembleia orante e alegre.

Acabamos de escutar um texto bem conhecido do Evangelho de Mateus: A parábola do semeador, um dos mais belos da Sagrada Escritura que nos convida a fazer uma avaliação sobre a nossa disposição interior para escutar, acolher e vivenciar a Palavra de Deus e nos mostra que a semente do Reino está destinada a produzir frutos, apesar dos grandes desafios e empecilhos que possam surgir.

As sementes lançadas pelo semeador caíram em terrenos diferentes: “algumas à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram.” “Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra... quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz.  outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas.”

Depois de ter sido questionado porque falava usando parábolas, falava fazendo comparações ou narrativas alegóricas para transmitir ensinamentos, Jesus explica sobre o seu desejo de evidenciar que a Palavra de Deus produz frutos em uns e em outros não, dizendo: “Todo aquele que ouve a palavra do reino e não a compreende, vem o maligno e rouba o que foi semeado em seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho. A semente que caiu em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas ele não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega o sofrimento ou a perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. A semente que sobre os espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele não dá fruto. A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende”. Esse produz fruto. Um dá cem, outro sessenta e outro trinta”.  

Fica então evidente a importância, a grandeza e o valor da Palavra de Deus para nós e que a Palavra só produzirá frutos no coração daquele que comparado a terra boa, deixa-se seduzir por Deus.  Portanto, devemos procurar acolher a mensagem divina, meditar, vivenciar para poder partilhar os frutos, ou seja, os resultados das experiências feitas.

Deus garante, na primeira leitura, a força e a eficácia da sua palavra e nós testemunhamos no decorrer da história os resultados: a vida surgiu, nações foram libertadas, pessoas foram transformadas, prodígios aconteceram a partir do poder e da força da palavra. Da palavra que gera vitalidade, ânimo e esperança.  

Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, neste domingo, façamos uma avaliação da nossa vida de fé e vejamos se realmente estamos ouvindo, assimilando, vivenciando e praticando os ensinamentos da Palavra de Deus; se estamos favorecendo a ação de Deus na nossa vida, deixando que a sua vontade se realize em nós, na nossa família, na sociedade e no mundo.

A parábola do semeador também nos leva a refletir sobre a leitura que fazemos da realidade. Com isso, lança uma luz nova sobre o que acontece neste mundo marcado por tantas contradições: O abismo existente entre pobres e ricos; a força dos poderosos e a fragilidade dos pobres; a manipulação da justiça, a ciência e a técnica que estão a serviço ou a disposição de poucos; as leis que não são aplicadas igualmente para todos; os serviços públicos que são oferecidos diferenciadamente de acordo como o bairro ou a classe social e tantas outras situações que comprovam interesses políticos, favorecimentos pessoais e a divisão de classes sociais.

É importante refletir sobre o que é e sobre o que não é da vontade de Deus; distinguir quais são os sinais do Reino e suas características; saber a origem e finalidade daquilo que nos é oferecido; identificar as causas e os responsáveis pelas dificuldades que enfrentamos; acreditar na força do bem, da verdade e na possibilidade de mudanças a partir das pequenas ações. Muitas vezes, diante dos desafios e dos grandes contrastes, desanimamos e terminamos acomodados, procurando justificativas que não convencem e usamos o argumento da fatalidade. 

Na segunda leitura, São Paulo nos adverte que não somos escravos do fatalismo, afirmando que por causa da morte e ressurreição de Jesus e da efusão do Espírito Santo todos poderão ter acesso ao projeto de Deus, que é direito iguais, liberdade e vida. Contudo, nada se consegue, nem o Espírito gera o novo no mundo e em nós, sem a nossa efetiva participação.

Para que possamos acolher a Palavra de Deus e esta palavra produza frutos em nossa vida é necessário que como Maria possamos querer e dizer: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”.  Cf. Lc 1,38

Com relação à realidade do mundo, tenhamos consciência de que o Reino de Deus já está entre nós, porém longe de estar plenamente inaugurado. É tempo de semear, não de colher; de trabalhar, não de descansar. Vamos continuar nutrindo a esperança de um mundo melhor, acreditando na possibilidade de uma sociedade justa e solidária, mantendo a esperança de que um dia, justiça e paz se encontrarão. Amém!