Artigo

20 de Outubro, 2014

Homilia – 29º Domingo do Tempo Comum

(Is 45,1.4-5; 1Ts 1, 1-5; Mt 22, 15-21)

O evangelho de hoje mostra Jesus num confronto com os fariseus, pois quando questionam se era justo pagar impostos a César, coloca-O à prova e numa armadilha, uma vez que o imposto era o maior sinal de dominação dos poderosos,  era o recurso que tornava os pobres dependentes.

Naquele contexto, se Jesus respondesse que deveriam pagar o imposto cobrado pelo imperador, estaria  justificando a condição de submissão dos mais necessitados e  traindo as expectativas de seus seguidores; Se ele respondesse que não deveriam pagar, certamente, seria preso, condenado e provavelmente morto.

Jesus, diante da situação, com muita inteligência e sabedoria divina responde desmascarando a falsidade deles chamando-os de hipócritas. Pede-lhes, então,  que mostrem uma moeda do imposto a fim de que identifiquem a face de César com seus títulos divinos o que provocou  neles irritação e   postura  contraditória. A moeda retratava  imagens que transgrediam a Lei de Deus e isto deixavam os judeus piedosos horrorizados.

A expressão “ dai, pois,  a  Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus” pronunciada por Jesus, revela que o importante é que o homem reconheça a Deus como único Senhor e reconheça em si mesmo que a pessoa humana é a sua imagem e semelhança. Ao imperador pertencem as moedas do imposto, que trazem sua imagem, mas esta não deve ser causa de dominação e meio de submissão; e mostra como devemos saber decidir, optar, escolher com liberdade, sem motivações ou influências que possam iludir, perverter ou gerar dependência.

Nós, cristãos, devemos  claramente acreditar e proclamar que só há um Senhor, como nos ensina o autor da primeira leitura, e a Ele devemos ser fiel, oferecendo-Lhe sempre o melhor de nós; devemos ter consciência de que somos amados por Deus, como nos garante São Paulo na segunda leitura. Portanto, devemos ser perseverantes e fiéis, reagindo a todas as propostas mundanas que nos são oferecidas e as tentações que nos cercam.

Devemos claramente saber separar o mal do bem, a justiça da injustiça, o joio do trigo, a luz das trevas, a verdade da mentira. Devemos proceder sem “segundas intenções”, sem maldade, sem o desejo de prejudicar, sem falsidade ou maldade. Jesus nos ensina a sermos transparentes, verdadeiros, francos.

Meus irmãos e minhas irmãs, conforme a fase da vida, esse exercício torna-se mais ou menos exigente. Quando se trata do jovem, aprender a tomar uma decisão exige, quando necessário, a orientação de uma pessoa mais experiente. No entanto, tanto para os mais jovens, quanto para os mais experientes, recorrer ao Espírito Santo para decidir pelo que é certo e melhor é sempre uma atitude muito sábia.  Então, recorramos sempre a Ele, pedindo sabedoria e discernimento nos momentos de decisão.

 

Pe. Edson Menezes da Silva

Reitor