Artigo

16 de Dezembro, 2014

Homilia – 3º Domingo do Advento – (Is 61,1-2.10-11; 1Ts 5,16-24; Jo 1,6-8.19-28)

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos!” Fl 4,4s

Estamos celebrando, hoje, o terceiro domingo do advento que é considerado como o domingo Gaudete ou domingo da alegria, pois estamos nos aproximando da Grande festa do Natal e, assim, começamos a experimentar os benefícios espirituais deste acontecimento que confirma o cumprimento das promessas do Antigo Testamento, assegura a certeza da nossa salvação, proporciona a experiência da verdadeira paz.

Para que nossa alegria seja plena, São Paulo, na primeira leitura, ensina que devemos aproveitar deste tempo para dedicarmos mais à oração, reconhecendo que, de Deus, recebemos todos os benefícios; valorizar a graça do Espírito Santo que está em cada um de nós e purificarmos de todas as maldades; evitar a prática do pecado e buscarmos a santidade; acreditar na fidelidade de Deus e cultivarmos a certeza de que ele opera em nós maravilhas. Não tenhamos dúvida: Aquele que nos chamou é fiel; se nós permitirmos, ele mesmo realizará seu projeto na nossa vida, na vida de nossa família, na vida da Igreja e das instituições religiosas, na vida das nações.

Meus irmãos e minhas irmãs, a caminhada que fazemos para o Natal, permite-nos, ainda, vislumbrar o cumprimento das promessas de Deus na história da salvação, ressaltando a missão de pessoas que vivenciaram os acontecimentos e se tornaram testemunhas dos fatos. Hoje, a primeira leitura destaca o desempenho do profeta Isaias e o Evangelho fala sobre o testemunho de João Batista, o último dos profetas, o precursor de Jesus.

Isaías apresenta-se exultando de alegria por estar sendo instrumento de Deus, por estar fazendo parte da história que se cumprirá no futuro com a chegada do Messias, por acreditar que a justiça produzirá sementes de esperança, de alegria e de paz.

Os autores das três leituras: Isaias, Paulo e João ajudam-nos a compreender como a salvação se faz presente no meio do povo e prefigura a sua expansão e realização futura. Para nós, que depois de muitos anos relemos estes textos, é uma graça poder constatar como tudo se cumpriu. Lendo hoje os Evangelhos, nós encontramos o próprio Jesus aplicando-se a si mesmo as palavras do profeta Isaías: “O espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o senhor me ungiu; enviou-me para proclamar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos; para proclamar o tempo da graça do Senhor” ( Is 61,1).

Temos o privilegio de não mais ter dúvida sobre a pessoa do verdadeiro Messias. As respostas de João Batista não nos causam estranheza, nós já sabemos que ele não é o Messias. Sabemos que ele foi enviado por Deus para dar testemunho da luz, para fazer despertar a fé no Salvador.  Que a sua voz não ficou perdida no deserto, mas, chegou aos ouvidos dos homens e mulheres do mundo inteiro e de todas as gerações seguintes.

Entendemos que, sacrificando a própria vida, João Batista  aplainou os caminhos do Senhor, cumprindo assim as palavras ditas no passado pelo profeta Isaías. Ficamos fascinados pelo seu exemplo de humildade e de consciência da sua missão, motivando-nos a reconhecer o Cristo no meio de nós e a procurar encontrá-Lo.

Recordando tais acontecimentos e refletindo sobre tais mensagens,  preparamo-nos para  mais um  Natal, sendo convidados a continuar abrindo veredas, rompendo barreiras, superando obstáculos, para continuar preparando os caminhos do Senhor a fim de que ele seja encontrado por aqueles que ainda estão distantes, por aqueles que não reconhecem o seu senhorio, por aqueles que não se deixaram iluminar por sua luz divina.

Assumimos o compromisso de não andar às cegas ou tateando na direção de pequenas luzes que logo se apagam, e sim nos deixar iluminar pela luz de Cristo que seu clarão dura para sempre. Deixando que as inúmeras luzes que ficam acesas neste tempo possam indicar o caminho que nos leva a Jesus luz do mundo.