Artigo

22 de Dezembro, 2014

Homilia – 4º Domingo do Advento – 2014 (2Sam 7,1-5.8-12.14-16; Rom 16,25-27; Lc 1,26-38)

Celebrando o quarto domingo do advento, estamos mais próximo do Natal, dia 25, quinta-feira. Assim sendo, a liturgia de hoje introduz o grande mistério da encarnação de Jesus, preparando-nos para reviver este grande acontecimento que marcou para sempre a história da humanidade.

Nos três domingos anteriores, os textos bíblicos apresentaram para nós as profecias que anunciavam o nascimento de um messias, mostraram os instrumentos e personagens que serviram para que Deus realizasse seus planos; ajudaram-nos para que alimentássemos a expectativa da segunda vinda do Senhor e também para que fôssemos motivados a identificar as maravilhas que Deus realizou na história do povo de Israel e continua realizando na vida da Igreja, na vida de nossas famílias, na vida de cada um de nós.

Hoje, escutando a narração do anúncio do Anjo feito a Maria, nós compreendemos o cumprimento das promessas feitas no Antigo Testamento pelos profetas, o projeto de vida plena e de salvação definitiva que Deus tem para oferecer aos homens; nós entendemos que com o acontecimento da Encarnação, o Senhor irmanou-se com a humanidade, que Ele é Deus-Irmão de todos nós!

O relato do anúncio do anjo a Maria, tomado no seu conjunto, mostra que Deus vai manifestando e fazendo compreender o seu projeto de amor num diálogo permanente com o ser humano. Deixa evidente que é em nossa história pessoal que Deus mantém um diálogo conosco, como fez com Maria, para nos dar a possibilidade de participar da sua própria vida.

O diálogo entre o anjo Gabriel e a Virgem, marcado por um clima de liberdade, revela como Deus deseja contar com a nossa colaboração, a fim de que sua Palavra seja cumprida, sua mensagem salvadora continue iluminando toda treva, favorecendo a descoberta do caminho da verdade, da justiça e da paz.

Na liturgia de hoje, Maria pode ser reconhecida como referencial para quem deseja colaborar com Deus, assumindo uma vocação específica para que possa cumprir uma missão. Tendo dito sim ao Anjo e colocando-se totalmente à disposição para que n’ela se cumprisse o projeto do Pai, ela torna-se um exemplo a ser imitado e modelo de obediência, fidelidade e perseverança.

Com Maria aprendemos a dizer sim, a escutar a voz de Deus, a nos colocar à disposição dos desígnios do Pai, a silenciar para meditar sobre seus ensinamentos, a ser perseverantes e firmes diante dos desafios da vida, a ser discípulos e missionários do Senhor. A exemplo da Virgem santíssima, neste Natal, queremos nos colocar à disposição da missão que o Senhor nos chamar e nos confiar.

A primeira leitura apresenta a “promessa” de Deus a David. Deus anuncia, pela boca do profeta Natã, que nunca abandonará o seu Povo nem desistirá de conduzi-lo ao encontro da felicidade e da realização plena. A “promessa” de Deus irá concretizar-se num “filho” de David, através do qual Deus oferecerá ao seu Povo a estabilidade, a segurança, a paz, a abundância, a fecundidade, a felicidade sem fim.

A segunda leitura denomina esse projeto de salvação, preparado por Deus desde sempre, o “mistério”; e, sobretudo, garante que esse projeto se manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira integre a família de Deus.

Vamos viver com intensidade esta semana que nos conduzirá à grande noite que a luz venceu a treva e iluminou para sempre o nosso caminho. A noite da festa por excelência da luz, a noite que Maria deu de presente ao mundo, a verdadeira luz, Jesus Cristo. Que essa luz possa brilhar nesta noite e iluminar todos os dias da nossa vida.

Tenhamos todos nós uma noite santa do Natal e vamos iluminados pela luz Divina prosseguir fazendo da nossa vida como fez Maria, uma perene doação para Deus e para os irmãos.

Que seja sempre realizada em nós, a vontade do Pai, segundo a sua palavra.