Artigo

27 de Maio, 2014

Homilia – 6º Domingo da Páscoa

(At 8,5-8.14-17; 1Pd 3,15-18;  Jo 14,15-21 )

Estamos no sexto domingo da páscoa e através da proclamação do Evangelho, acompanhamos os discursos de Jesus anunciando aos discípulos a sua ida para o Pai; vamos tomando conhecimento das recomendações e dos ensinamentos que foram dados para que eles pudessem dar continuidade a sua ação no mundo e conforme o andamento do Tempo Litúrgico e  vamos sendo preparados para celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor na certeza de que descerá sobre nós, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo.

Nesta perspectiva, a leitura que ouvimos agora do Evangelista João, apresenta Jesus pedindo fidelidade amorosa na expressão e vivência dos mandamentos, prometendo a proteção do Pai e garantindo a assistência do Espírito Santo.

O Mestre mostra a cada um de nós como o amor garante a continuidade de uma ação, alimenta a sensação de presença, favorece uma experiência de fidelidade, dando-nos uma orientação: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro defensor para que permaneça sempre convosco: o Espírito da verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (vv 15-18).

Os Apóstolos experimentaram o cumprimento de todas as promessas e com perseverança e fidelidade à missão, deixam para nós a certeza de que o Ressuscitado está no meio de nós. Portanto, na nossa vida pessoal, familiar, profissional e de fé na comunidade, sentimos muitas vezes o sabor da desilusão, do abandono, da solidão devido ao afastamento de alguém por motivos de divergência, ocupação, uma viagem, mudança de endereço, outras particularidades ou morte. Nestas ou em qualquer outra circunstância, Jesus garante que amando, apoiando-nos uns nos outros, ajudando-nos mutuamente e colocando-nos sob a luz do Espírito Santo, nós superaremos as dificuldades, venceremos todos os obstáculos e aceitaremos os desígnios de Deus. Ele adverte que quem o ama será amado pelo Pai, contará com o seu amor e com sinais de sua manifestação como confirmação de apoio.

Meus irmãos e minhas irmãs, é muito confortador saber que acreditamos num Deus que nos ama, que demonstra tanto cuidado e tanto carinho por cada um de nós. Um Deus que deseja ficar próximo de nós e revela sinais de amizade, de ternura e de preocupação com o nosso bem estar. Um Deus que não nos abandona em nenhum momento, que jamais nos esquecerá, mesmo que todos nos esqueçam. Assim afirma o Profeta Isaias: “Pode uma mulher esquecer o filho que gerou, deixar de querer bem ao filho de suas entranhas? Mesmo que alguma esquecesse, eu jamais esqueceria! Eis que eu te desenhei na palma das minhas mãos” ( Is 49,15-16a ).

Jesus deu a sua vida por amor e porque nos ama ficará para sempre no meio de nós. Sua presença espiritual não é uma mera ilusão, um discurso de mera conformação, mas percebida e experimentada por aqueles que se sentem amados. A presença de Jesus ressuscitado é percebida e constatada na ação da Igreja que guiada pelo Espírito Santo, continua a sua missão. A missão recebida pelos Apóstolos e transmitida a seus sucessores que como Felipe, Pedro e João, continuam anunciando o Evangelho. Resta-nos escutar a voz dos nossos pastores a fim de que seja grande e perene a nossa alegria. A alegria pelo dom da fé, pela escuta e acolhimento da mensagem da salvação e dos dons do Espírito Santo. Assim, poderemos levar uma vida santificada como nos exorta Pedro da segunda leitura, procurando praticar o bem evitando praticar o mal.

Já em preparação para a festa de Pentecostes, nós desejamos e pedimos que o Espírito de Jesus sempre nos sustente, nos anime na nossa caminhada, nos conceda a graça de amar e servir com alegria, como nos ensinou Ir. Dulce, cujo centenário do seu nascimento celebramos hoje.  Que animados pelo exemplo da vida, da sua dedicação pelos mais necessitados, possamos acolher e praticar os mandamentos, a amar o próximo como a nos mesmos, a experimentar e anunciar a “alegria do Evangelho”.

Nesta liturgia expressamos a nossa gratidão pelo cuidado, pelo amor, pela proteção que o amado Jesus, Senhor do Bonfim nos dispensa diuturnamente, guardando-nos e protegendo-nos de todo mal.

Pe. Edson Menezes da Silva

Reitor